O Que É Um Caminhão Bitrem E Como Dirigi-lo Profissionalmente?

bitrem

As pessoas costumam chamar de caminhão qualquer veículo grande que transporte algum tipo de carga. Nos jornais, notícias sobre tombamentos de caminhões bitrens geram manchetes.

Porém, apesar de ser chamado de caminhão pelas pessoas e até as reportagens jornalísticas utilizarem esse termo, o caminhão bitrem pertence à outra categoria de veículos.

Você sabe qual é?

Neste artigo, além de descobrir a verdadeira nomenclatura do caminhão bitrem, você poderá tirar outras dúvidas sobre a categoria de habilitação necessária para dirigi-los.

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Confira, também, o que diz o Código de Trânsito Brasileiro sobre o tráfego de caminhões e seus motoristas.

Caminhão Bitrem é caminhão mesmo?

Apesar de caminhão ser o nome mais comum para nos referirmos a veículos grandes que transportam cargas, a nomenclatura correta para os veículos bitrens é carreta.

A principal diferença entre caminhão e carreta é que o primeiro é um veículo fixo e a carreta é um veículo articulado.

Os caminhões são constituídos por uma única parte: a cabine, o motor e a unidade de carga, chamada de carroceria.

Podendo ter dois ou três eixos, atingem a capacidade máxima de 23 toneladas e estão disponíveis em diversos tamanhos e modelos específicos, como caminhões de carroceria aberta, em forma de gaiola, plataforma ou baú, tanque, etc.

Os módulos – rodas de tração e unidade de carga – da carreta, por sua vez, são separados.

A parte que compõe a cabine, o motor e a unidade de tração é conhecida como cavalo mecânico.

A parte da carga é chamada de semirreboque­.

Assim como nos caminhões, existem vários modelos de carretas que variam de acordo com as especificações das cargas.

Como possuem capacidade maior para cargas, as carretas variam o número de eixos do cavalo mecânico e do semirreboque, podendo chegar até aos sete eixos, que é o caso do caminhão bitrem.

Mas, se mesmo existindo essa distinção, seguiremos usando o termo mais usual, que é caminhão bitrem, qual a razão de existir dois nomes para distinguir veículos que, ao olhar dos leigos, se parecem tanto?

 

Dimensões Permitidas Por Lei

bitrem dimensão lei
Contran é o órgão responsável por definir as dimensões dos veículos

Veja bem, no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) está estipulado que o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) define os limites para dimensões, peso bruto total e peso por eixo que devem ser observados para todos os veículos de carga que circulam nas vias terrestres:

“Art. 99. Somente poderá transitar pelas vias terrestres o veículo cujo peso e dimensões atenderem aos limites estabelecidos pelo CONTRAN.”

Então, para que os veículos sigam os parâmetros estabelecidos adequadamente, é necessário criar categorias.

O limite imposto aos veículos existe em função do desgaste que o tráfego causa no asfalto das rodovias.

Quanto maior a força que os pneus aplicam sobre a camada de asfalto, maior será a degradação.

“Art. 100. Nenhum veículo ou combinação de veículos poderá transitar com lotação de passageiros, com peso bruto total, ou com peso bruto total combinado com peso por eixo, superior ao fixado pelo fabricante, nem ultrapassar a capacidade máxima de tração da unidade tratora.”

Entrando de acordo com o artigo 100 do CTB, a Resolução nº 62/1998 estabelece o uso de pneus extralargos.

Dessa forma, só é possível para os veículos transportarem muito peso se estiver distribuído por vários eixos, ou seja, circular com mais rodas que distribuam o peso da carga.

A partir das Resoluções nº 12/98, nº 184/05 e nº 62/98, o Contran regulamentou os limites e as dimensões permitidas para o tráfego seguro dos veículos que transportam cargas nas rodovias.

Na Resolução nº 12/98, do Contran, o primeiro artigo autorizava as seguintes dimensões para veículos, com ou sem carga:

“I – largura máxima: 2,60m;

II – altura máxima: 4,40m;

III – comprimento total:

a) veículos simples: 14,00m;

b) veículos articulados: 18,15m; c) veículos com reboque: 19,80m.”

Em 2009, o Denatran publicou, na Portaria nº 63, uma atualização dos limites de peso, comprimento e número de eixos permitidos por cada tipo de combinação de veículo de carga (CVC).

Atualmente, o comprimento máximo permitido para um CVC é 30 metros.

Modelos de Caminhão

Veículo Urbano de Carga (VUC) ou ¾

O VUC é um caminhão bem leve e de porte pequeno, apropriado para trafegar em áreas urbanas.

Além do limite de emissão de poluentes, este tipo de caminhão deve ter largura máxima de 2,2 metros, comprimento máximo de 6,3 metros e transportar até três toneladas.

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Toco ou caminhão semipesado

Este caminhão – que pode chegar até 14 metros de comprimento – tem eixos simples na carroceria, isto é, um eixo frontal e um traseiro de rodagem simples.

O transporte de carga é permitido até as seis toneladas, sendo o peso bruto máximo permitido de até 16 toneladas.

Por ser menor que um caminhão trucado, é bastante utilizado em mudanças, transportes de carga seca e como caminhão de pedra, terra e areia.

Truck ou caminhão pesado

O caminhão pesado chega a 14 metros de comprimento e, por ter eixo duplo na carroceria, consegue carregar uma carga maior, melhorando o seu desempenho.

Este modelo é composto por dois eixos de rodas juntos na carroceria, enquanto um dos eixos traseiros precisa receber, necessariamente, a força do motor.

O conjunto de suas características permite que o veículo suporte entre 10 e 14 toneladas, chegando a um peso bruto de até 23 toneladas.

Modelos de carreta

bitrem modelos de carreta
As carretas são muito utilizadas no transporte de grãos

Além da separação entre força motriz, rodas de tração e motor do módulo de carga, as carretas se distinguem dos caminhões na quantidade de eixos do cavalo mecânico (dois ou três) e na quantidade de eixos do semirreboque (dois ou três).

Para transportar cargas em carretas, há dois tipos de cavalos mecânicos: o extrapesado e o trucado (LS).

O cavalo mecânico extrapesado é constituído de cabine, motor e rodas de tração com eixo simples, tendo apenas duas rodas.

Ele pode ser engatado em uma carreta de dois eixos que, unida a um semirreboque de dois eixos, possui um comprimento de 18,15 metros e peso bruto máximo de 33 toneladas.

O cavalo mecânico extrapesado também é usado em uma carreta de três eixos.

Ligada a um semirreboque de três eixos, essa carreta chega a 18,15 metros de comprimento e 41,5 toneladas de peso bruto máximo.

Já o cavalo mecânico trucado ou LS tem eixo duplo no conjunto, o que permite o carregamento de cargas mais pesadas.

Com o peso da carga do semirreboque distribuído por mais rodas, a pressão que cada um exerce no chão é menor.

O cavalo mecânico trucado é utilizado em:

Carreta cavalo trucado

Junto com um semirreboque de três eixos, medindo no máximo 18,5 metros de comprimento e 45 toneladas de peso bruto tolerado.

Rodotrem

Cavalo mecânico traçado de nove eixos ao todo. Três do conjunto do cavalo mecânico (trem de força) e outros dois trens engatados de três eixos. É permitido o transporte de até 74 toneladas de carga.

Treminhão

O treminhão é um cavalo mecânico composto por três articulações, ou seja, o cavalo mecânico e outros três conjuntos. Ele consegue transportar até 57 toneladas e o semirreboque pode ser tracionado por um cavalo mecânico trucado.

Caminhão Bitrem

Em função das múltiplas configurações de caminhões, carretas e implementos, nem sempre é possível identificar as diferenças enquanto passamos pelos veículos nas estradas.

Por isso, para identificar um caminhão bitrem de 9 eixos, basta prestar atenção em alguns detalhes que o diferencia de outras carretas, como o treminhão.

Os aspectos técnicos dos bitrens assemelham-se aos do rodotrem: possui dois semirreboques, 9 eixos (três no cavalo mecânico e seis no implemento), o peso bruto total dele é de 74 toneladas, pode medir até 30 metros de comprimento.

Assim como o rodotrem, o caminhão bitrem exige o uso de cavalo mecânico com tração 6×4.

O diferencial do caminhão bitrem é que ele possui duas articulações, ou seja, é biarticulado.

É constituído por um cavalo mecânico 6×4 (somando três eixos) que traciona dois semirreboques (com três eixos em cada).

Os semirreboques estão engatados por uma segunda quinta roda – motivo pelo qual ele se torna biarticulado: a quinta roda do caminhão e a quinta roda entre os dois semirreboques.

Marco Regulatório do Transporte Rodoviário de Carga

Ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou, em comissão especial, o Projeto de Lei 4.860/2016, conhecido como Marco Regulatório do Transporte Rodoviário de Carga.

O projeto, de autoria da deputada Christiane Yared (PR-PR), possui 27 artigos, divididos entre quatro capítulos, e tem como pretexto “atualizar e aprimorar as normas para a regulação do transporte rodoviário de cargas em território nacional”.

Por isso, revoga o disposto na Lei nº 11.442/2007, que dispõe sobre o transporte rodoviário de cargas.

O novo Projeto faz distinção entre o transporte rodoviário de cargas por conta de terceiros e mediante remuneração, e o transporte de carga própria – feito por empresas, pessoas físicas ou cooperativas.

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Também amplia os mecanismos de responsabilização na contratação de seguros aplicáveis ao transporte, abrangendo o seguro contra desvio de cargas e o de responsabilidade sobre terceiros.

Além disso, estabelece penas mais rígidas para empresas e caminhoneiros envolvidos em roubo de cargas.

O texto fornece algumas medidas inovadoras, como a viabilidade de contratar serviços de transporte de cargas por aplicativos.

Dentre as modificações propostas pelo Projeto de Lei 4.860/2016, uma que envolve especificamente os caminhões bitrens é a de que, para combinações de veículos de carga (CVC’s) com Peso Bruto Total Combinado (PBTC) de até 57 toneladas, não será obrigatório o uso de veículos com tração dupla 6×4.

O projeto faz a distinção de seis categorias para o exercício de atividade econômica.

Mas quem pode exercer profissionalmente o transporte rodoviário de cargas?

Segundo o artigo 2º do Projeto, qualquer pessoa física ou jurídica que esteja previamente inscrita no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTR-C), da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), nas seguintes categorias:

“I – Transportador Autônomo de Cargas – TAC, pessoa física que possua ou seja arrendatário de até dois veículos automotores de carga, e tenha no transporte rodoviário de cargas sua atividade profissional;

II – Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas – ETC, pessoa jurídica constituída por qualquer forma prevista em lei que tenha no transporte rodoviário de cargas a sua atividade principal, sendo proprietária de, no mínimo, dez veículos automotores de carga;

III – Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas de Pequeno Porte – ETPP, pessoa jurídica constituída por qualquer forma prevista em lei que tenha no transporte rodoviário de cargas a sua atividade principal, e possua no mínimo dois e no máximo nove veículos automotores de carga;

IV – Cooperativa de Transporte Rodoviário de Cargas – CTC, sociedade cooperativa constituída na forma da lei, que tenha na prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas a sua atividade principal;

V – Transportador Rodoviário de Carga Própria – TCP, pessoa física ou jurídica que seja proprietário, coproprietário ou arrendatário de veículo automotor de carga registrado no órgão de trânsito na categoria “particular”, e que realize o transporte de carga própria, assim entendida como a que se aplique exclusivamente para consumo próprio ou distribuição dos produtos por ela produzidos ou comercializados; e

VI – Cooperativa de Transporte Rodoviário de Carga Própria – CTCP, sociedade cooperativa constituída na forma da lei, que tenha como atividade principal o transporte de mercadoria própria ou de seus associados.”

 

Carteira De Motorista Profissional E Infrações De Trânsito

bitrem motorista profissional
Imagine as paisagens que um motorista de estrada enxerga todos os dias

Depois de aprender sobre o caminhão bitrem, ficou interessado em trabalhar transportando carga em um?

Saiba que não é possível simplesmente comprar um veículo e sair pela estrada.

Isso porque, além das diferentes categorias de Carteira Nacional de Habilitação (CNH), para dirigir profissionalmente é preciso incluir uma observação de atividade remunerada no documento de habilitação, conforme explicita o artigo 147 do CTB:

“5o O condutor que exerce atividade remunerada ao veículo terá essa informação incluída na sua Carteira Nacional de Habilitação, conforme especificações do Conselho Nacional de Trânsito – Contran.”

Outro motivo para não agir impulsivamente é o fato de que dirigir um veículo não autorizado pela categoria da sua CNH é uma infração gravíssima.

De acordo com o artigo 162 do CTB, estará cometendo uma infração quem dirigir veículo:

“III – com Carteira Nacional de Habilitação ou Permissão para Dirigir de categoria diferente da do veículo que esteja conduzindo:

Infração – gravíssima;

Penalidade – multa (duas vezes);

Medida administrativa – retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado.”

Categorias de Habilitação

Vale frisar que o mesmo artigo define, também, ser infração gravíssima dirigir sem possuir CNH ou com ela vencida há mais de 30 dias.

O artigo 143 do CTB distingue cinco tipos de habilitação, sendo que cada uma delas dá o direito de dirigir alguns veículos e outros não.

Então, para não pagar uma multa de R$ 586,94 e levar 7 pontos na carteira por conta de dirigir com a carteira de habilitação não equivalente à categoria do automóvel em questão, entenda quais são essas categorias de CNH e como trocar a sua:

Categoria A

A primeira categoria permite que o habilitado dirija os veículos automotores e elétricos de duas ou três rodas, podendo ter carro lateral.

Categoria B

Veículos automotores e elétricos de quatro rodas, com peso bruto total de, no máximo, 3,500 quilogramas, cuja lotação não passe de oito lugares (sem contar o do motorista).

Os veículos dessa categoria devem contemplar a combinação de unidade acoplada, reboque, semirreboque ou articulada, desde que respeitem a lotação e a capacidade de peso mencionadas.

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Categoria C

Esta categoria inclui todos os veículos utilizados em transporte de carga que ultrapassem os 3,500 quilogramas.

São eles: os tratores, as máquinas agrícolas e de movimentação de cargas e as combinações de veículos em que a unidade acoplada (reboque, semirreboque ou articulada) não chegue a mais de 6.000 quilogramas de peso bruto total.

Também inclui os veículos abrangidos pela categoria B.

Categoria D

A quarta categoria dá o direito de o habilitado dirigir veículos para o transporte de mais de oito passageiros (sem contar o motorista), além de todos os veículos constados nas categorias B e C.

Categoria E

O condutor com habilitação nesta categoria pode dirigir combinações de veículos automotores e elétricos em que a unidade tratora se enquadre nas categorias B, C ou D e que a unidade acoplada (reboque, semirreboque, trailer ou articulada) tenha 6,000 quilogramas ou mais e a lotação não ultrapasse oito passageiros (sem contar o motorista).

Quem tem a categoria E na habilitação pode dirigir também os veículos inclusos nas categorias B, C e D.

Só é possível retirar a primeira Carteira Nacional de Habilitação nas categorias A, B, ou AB – esta exige dois cursos preparatórios: um para carro e outro para motos.

Para mudar de categoria, é preciso fazer gradativamente: da categoria B para C ou D; da categoria C para D ou E; e da categoria D para E.

O artigo 145 define que, para o condutor habilitar-se nas categorias D e E ou para conduzir veículo de transporte coletivo de passageiros, de escolares, de emergência ou de produto perigoso, ele deverá enquadrar-se em alguns requisitos, como:

“I – ser maior de vinte e um anos;

II – estar habilitado:

  1. a) no mínimo há dois anos na categoria B, ou no mínimo há um ano na categoria C, quando pretender habilitar-se na categoria D; e
  2. b) no mínimo há um ano na categoria C, quando pretender habilitar-se na categoria E;

III – não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima ou ser reincidente em infrações médias durante os últimos doze meses;

IV – ser aprovado em curso especializado e em curso de treinamento de prática veicular em situação de risco, nos termos da normatização do CONTRAN.”

Infrações

O artigo 261 do CTB estipula que a penalidade de suspensão do direito de dirigir é aplicada:

“I – sempre que o infrator atingir a contagem de 20 (vinte) pontos, no período de 12 (doze) meses, conforme a pontuação prevista no art. 259;

II – por transgressão às normas estabelecidas neste Código, cujas infrações preveem, de forma específica, a penalidade de suspensão do direito de dirigir.”

No quinto parágrafo do mesmo artigo, o código oferece, ao motorista profissional, a possibilidade de reciclar seus pontos antes de atingir os 20 que causariam a suspensão do direito de dirigir:

“§ 5º O condutor que exerce atividade remunerada em veículo, habilitado na categoria C, D ou E, poderá optar por participar de curso preventivo de reciclagem sempre que, no período de 1 (um) ano, atingir 14 (quatorze) pontos, conforme regulamentação do Contran.”

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Conclusão

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Neste artigo, você aprendeu que o caminhão bitrem, apesar de ser chamado de caminhão, é tecnicamente uma carreta.

Também ficou por dentro do que a legislação brasileira estipula para os transportadores de cargas rodoviárias e quais são as categorias de habilitação para cada tipo de veículo.

Com essas informações, você está apto a avaliar se é recompensador dirigir profissionalmente um caminhão bitrem.

Conte para nós a sua opinião ou experiência com esse tipo de veículo.

É só deixar um comentário, será um prazer lê-lo!

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