Fobia No Trânsito: Guia Completo Para Lidar Com Esse Transtorno

fobia no trânsito

Primeiramente, as aulas teóricas. Depois do exame psicotécnico e de múltipla escolha, as aulas práticas. Então, chega o dia da prova de condução. Além de R$ 2.186,66, tudo isso é necessário para tirar a Carteira Nacional de Habilitação.

No entanto, após investir na primeira habilitação e ter, inclusive, um carro na garagem, muitas pessoas não conseguem sair por aí dirigindo.

Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Trânsito, dois milhões de brasileiros têm fobia no trânsito.

São, recorrentemente, pessoas habilitadas que só de se imaginarem assumindo a direção, o coração palpita, as mãos suam e as pernas tremem.

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Além do desgaste emocional de quem sofre, a fobia de dirigir também impede que as pessoas tenham um cotidiano mais prático e independente.

O julgamento da sociedade é outro fator que, infelizmente, ainda atrapalha.

Por ser uma atividade corriqueira para muitos, é comum encontrarmos pessoas que não procuram ajuda para vencer esse medo porque sentem vergonha por não conseguirem fazer uma tarefa considerada “normal”, do dia a dia, como dirigir.

Até porque o trânsito é um local onde todos os envolvidos têm uma opinião e se sentem à vontade para manifestá-la, sendo motorista ou não, tornando o ambiente mais hostil para quem se sente inseguro nele.

No entanto, apesar da falta de compreensão de parte da sociedade, a fobia no trânsito é um problema que deve ser levado a sério.

Caso você esteja passando por isso agora ou conheça alguém que esteja, este artigo vai ajudá-lo a entender melhor o que é amaxofobia – medo patológico de estar ou de viajar em qualquer veículo – e como obter auxílio para lidar com esse mal.

 

Quais São Os Sinais De Fobia No Trânsito?

fobia no trânsito sinais
O medo de dirigir causa estresse, suor e dor de cabeça

Primeiramente, é importante saber que o medo de dirigir é um transtorno psicológico que tem tratamento.

No livro Dirigir sem Medo (2005, Casa do Psicólogo), a psicóloga Cecília Bellina diz que cada fobia tem suas características próprias e com a de dirigir não é diferente. As motivações do medo, por exemplo, não são as mesmas para todos.

Há pessoas que sentem medo de perder o controle da parte técnica do automóvel, como marchas, direção, freios e embreagem.

Já o medo de outros pode estar relacionado aos acidentes, como atropelar algum pedestre ou ciclista.

E também há aqueles que se apavoram com a organização do trânsito, como os sinais e os cruzamentos.

Geralmente, são pessoas inteligentes que perdem a confiança por conta de críticas que sofreram de familiares ou de estranhos no trânsito. É o que diz a psicóloga Neuza Corassa, autora do livro Vença o Medo de Dirigir (Editora Gente).

Para ela, o medo de errar e de passar vergonha é um dos principais causadores de ansiedade, acarretando, inclusive, na desistência de dirigir.

Experiências ruins podem gerar traumas que impedem algumas pessoas de dirigir com tranquilidade ou até mesmo de se interessar em tirar a CNH.

É o caso do estudante Felipe Cardoso, de 22 anos, que desistiu de refazer a prova prática da autoescola e não pensa mais em tirar a carteira. “As aulas teóricas foram tranquilas, apesar de muito cansativas, e as aulas práticas são ‘travadas’. Os professores têm diferentes métodos de ensinar, que muitas vezes divergem da maneira que o avaliador do Detran vai julgar”, diz.

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As condições de realização do exame prático são, segundo o estudante, humilhantes.

Em Pelotas (RS), cidade de Felipe, os exames são marcados durante a manhã e todos devem chegar às 8h para esperar a sua vez, que pode ser só ao meio-dia.

“Fica aquele povo te olhando, uma pressão. No fim, é um ambiente diferente do trânsito real, criado só para aquele momento de avaliação”, reclama Felipe.

Sobre os exames do Detran, os psicólogos que aplicam os testes, conhecidos por “psicotécnicos”, seguem as recomendações do Conselho Federal de Psicologia.

Com a publicação da resolução CFP n° 002/2003, foi definido e regulamentado o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos.

Esse órgão regulador, que é o Conselho, reconhece os testes utilizados pelos Psicólogos Peritos Examinadores de Trânsito na avaliação psicológica que, por sua vez, os usam para identificar, nos candidatos, características como ansiedade, autocontrole, capacidade de tomada de decisão, etc.

Porém, nem sempre um teste que dura em torno de uma hora consegue prever como a pessoa vai se sentir no momento de viver o trânsito como ele realmente é.

Essa experiência real no trânsito é imprescindível, de acordo com Cecilia Bellina, para quem já está habilitado e tem medo de dirigir.

É difícil, pois envolve encarar o automóvel e as ruas, que são justamente o motivo de aflição do fóbico de trânsito.

Porém, o exercício regular é a melhor forma de tirar dúvidas e aumentar a confiança, o que acaba deixando a pessoa cada vez menos ansiosa.

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Pegar o carro por poucos minutos regularmente pode ajudar

Por isso, pensando na necessidade de vivenciar o trânsito para combater o medo de dirigir, começaram a surgir várias escolas de direção para habilitados.

São centros que oferecem serviços especializados em reabilitar o cliente que já tem CNH, mas está há muito tempo sem dirigir ou nunca pegou a direção.

Alguns são direcionados às mulheres e abusam do marketing para tentar recriar uma atmosfera considerada feminina.

Com equipes formadas apenas por instrutoras, frotas e uniformes cor-de-rosa, as aulas trabalham a parte técnica e aproveitam para discutir questões de gênero, como os motivos que fazem tantas mulheres não dirigirem.

A Escola Só para Elas, a primeira autoescola para mulheres da Bahia, localizada na cidade de Feira de Santana, é uma delas.

Coincidentemente ou não, está localizada na Avenida Maria Quitéria – nome da primeira mulher a integrar o exército brasileiro e a entrar em combate durante uma guerra.

Disfarçada de homem, inicialmente, a soldado Medeiros, nascida no ano do assassinato de Tiradentes (1792), lutou na Guerra da Independência e se consagrou como heroína brasileira.

Logo, se a gente pensar que, ao longo da história, as mulheres enfrentam desafios todos os dias para lidar com a sociedade que, não raro, beneficia os homens, não é surpreendente que muitas sintam dificuldade de encarar o trânsito.

fobia no trânsito mulheres
O trânsito é um lugar de todos

Muitas vezes, é um lugar caótico, com faixas e sinalizações defasadas, condutores nervosos e apressados, que não respeitam uns aos outros.

Além disso, há muita falta de paciência com quem está começando a dirigir ou tem medo e precisa praticar com calma.

Por isso, se você é uma mulher e está passando por isso, mas quando sai para treinar com algum familiar se sente pressionada, considere procurar uma escola especializada.

Normalmente, motoristas que se sentem seguros não conseguem entender o que de fato assusta quem é muito ansioso.

Então, as dicas começam a soar como críticas e a situação pode até piorar.

Em São Paulo, tem a Mulheres Habilitadas, com filiais em Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.

A escola Mulheres no Trânsito fica no bairro da Saúde, em São Paulo, mostrando que o mercado para combater o medo das mulheres de dirigir tem crescido.

Agora, se você não é mulher – ou não está interessada em um centro só para mulheres –, há escolas que aceitam todas as pessoas e focam em outros pontos em seus serviços, como os centros voltados à psicoterapia, que oferecem sessões com psicólogas especialistas em fobia de trânsito.

A Clínica Escola Cecília Bellina, da psicóloga Cecília Bellina, une os dois pontos-chave no auxílio da perda do medo de dirigir: psicologia e instrução de trânsito.

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Lá, as aulas são ministradas por profissionais duplamente capacitados, no caso, psicólogas e instrutoras de trânsito.

Dessa forma, os “alunos-clientes” são bem amparados na hora de sair com o carro, pois quem está auxiliando na parte de coordenação motora também sabe lidar com as questões emocionais, como nervosismo, irritação e falta de confiança.

Além das empresas privadas, os Detrans de alguns estados já estão cientes de que é preciso atender às demandas daqueles que têm medo de dirigir.

Um deles é o Detran/MS, que lançou o programa Vencendo o Medo de Dirigir, junto com a clínica Escola de Psicologia, da Universidade Católica Dom Bosco.

No programa, duas turmas são oferecidas ao longo do ano. As etapas do curso vão desde assistência educativa até terapêutica.

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Ao final das aulas, o carro pode virar seu melhor amigo

Além da acolhida, o curso conta com “aula inaugural; psicoterapias; desenvolvimento dos conteúdos legislação de trânsito, regras de circulação, direção defensiva e noções de mecânica veicular; e aula de quebra gelo, no contexto do trânsito”.

Se, por um lado, o contato real com o trânsito é uma forma de encarar o problema, hoje, a tecnologia permite combater os medos de forma totalmente virtual.

A concepção de realidade aumentada é mais amplamente divulgada na área científica, contudo, tem migrado para o mundo dos negócios cada vez mais.

De acordo com o site Startupi, dos 20 anos de seu desenvolvimento, apenas em dez deles o custo se tornou acessível para tratamentos no Brasil.

É o caso da utilização de Realidade Virtual para o tratamento de fobias, modalidade de terapia que tem crescido nas últimas décadas, apesar de ainda ser novidade no país.

Entretanto, quais as vantagens que um sistema virtual pode ter quando comparado à prática do dia a dia no trânsito?

Para começar, os ambientes criados são bem realísticos, eficazes em replicar as situações rotineiras do trânsito.

Depois, por ser feita em um consultório, a terapia deixa o paciente mais seguro e menos constrangido – como pode acontecer se ele estiver dentro de um carro na rua.

No consultório, também é possível controlar, de forma gradual, o grau de exposição do paciente.

A psicóloga Nataly Martinelli recebe, em seu consultório, pacientes com medo de avião, insetos, escuro e tantos outros.

Com o uso de uns óculos específicos, o paciente participa de uma simulação de terapia de exposição – que é, inclusive, estudada nos cursos de psicologia.

Além dos óculos, o paciente coloca eletrodos nos dedos indicador e médio. A partir de uma ferramenta de bio-feedback, a psicóloga é capaz de medir – em ondas – o suor, a tensão e a ansiedade do paciente.

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Dessa forma, é possível acompanhar o estado físico e emocional do paciente durante toda a sessão. Na simulação, cada paciente terá contato com o que lhe dá medo.

Por exemplo, se o paciente tem medo de voar, ele será “transportado” para um ambiente de aeroporto, para que, assim, ele comece o tratamento de forma leve, se familiarizando com o check-in, o despache de malas, até chegar na hora do embarque no avião.

Para tratar o medo de dirigir, a realidade virtual resolve o conflito já levantado nesse artigo, que é o fato do paciente ter de entrar em um carro e realizar a tarefa que lhe dá calafrios só de pensar.

Imagine que reconfortante deve ser poder começar a perder o medo da direção sem precisar tocar nela e sem correr o risco de ouvir um comentário maldoso de alguém sem empatia que cruzou o seu caminho.

A ideia parece promissora e animadora, mas precisamos ser honestos em admitir que tratamentos psicológicos a partir de Realidade Virtual é uma área a ser explorada no país.

Ou seja, provavelmente não seja fácil encontrar, em todas as cidades, algum profissional que trabalhe com a técnica.

Porém, isso não é motivo para desistir de vencer seu problema, pois já mostramos, aqui, outras formas de obter ajuda.

 

Dicas de Como Perder a Fobia no Trânsito

fobia no trânsito aulas práticas
O tratamento pode ser no consultório da psicóloga ou nas aulas de direção

A essa altura, você já sabe que a fobia no trânsito é um transtorno psicológico que acomete muitas pessoas, transformando-se numa área da psicologia dedicada a estudar suas causas e tratamentos.

Mais do que isso, você já conhece alguns recursos para lutar contra a sua fobia ou a de alguém próximo.

No entanto, nem todo mundo tem condições de arcar com as despesas de um psicólogo ou de uma escola para habilitados.

Então, selecionamos algumas dicas práticas para você fazer sozinho – embora seja melhor encontrar algum parceiro com quem você se sinta à vontade para ajudar no processo.

  1. Comece devagar. Se o medo é muito grande, é melhor pensar em um resultado a longo prazo, pois a pressão de um êxito rápido pode agravar sua ansiedade.

  2. Antes de sair dirigindo, entre no carro parado na garagem. Sentado, olhe ao redor, reconheça as partes do automóvel. Passe as mãos na direção, toque no freio de mão, ligue o carro em ponto morto, só para sentir o movimento. Esse contato vai diminuir a tensão na hora de engatar a marcha e andar, pois você vai estar mais acostumado com a máquina.

  3. Muitas pessoas ficam nervosas com a quantidade de passos que o ato de dirigir envolve. Leia sobre cada um deles até que todos fiquem memorizados. A memória vai ajudar na hora de tomar as decisões na prática e, com ela, as decisões se tornam automatizadas.

  4. Ao começar a andar com o carro, não comece com atividades que causam maior estresse, como tirar o automóvel de garagens apertadas (principalmente as de apartamento). Peça para alguém ir com você até uma área não movimentada da sua cidade, para que você possa dar voltas nas quadras sem se preocupar com o tráfego, mas sim com o seu movimento. Ande em círculos, se for possível, até que você conheça o caminho e se sinta confortável andando nele.

  5. Não preste atenção quando alguém lhe disser para fazer algo que você não está confiante de que seja prudente. Muitos motoristas cometem erros diariamente porque adquirem vícios ou deixam de considerar importantes certas condutas.

  6. Quando você já tiver experiência e segurança em dirigir em lugares desertos, é a hora de começar a traçar rotas úteis para o seu dia a dia. Vá ao mercado, trabalho, universidade, dê carona para alguém (não sem antes exigir paciência e acertar os detalhes dos “conselhos” permitidos).

  7. O passo mais difícil, talvez, que apavora até quem não sofre de fobia no trânsito, é o estacionamento. Procure treinar em lugares calmos, para não ser pressionado por condutores que desejam passar. No entanto, tenha em mente que não adianta ter pressa, principalmente quando se trata de balizas, pois todo dia é um jeito diferente e algumas vão levar mais tempo do que as outras.

  8. Não esqueça: se cobrar demais só agrava o sentimento de culpa quando algo sai errado. E errar é normal até na direção. Por conta disso, o trânsito é regulamentado pelo Código de Trânsito Brasileiro. Assim, agentes, condutores e pedestres sabem quais são seus direitos e deveres. Quanto maior a cooperação das partes, mais seguro e acolhedor será o trânsito.

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Conclusão

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Sinta a liberdade de dirigir sem medo

Leu todas as dicas deste artigo?

Então, você já entendeu que fobia de trânsito não é frescura, mas um transtorno psicológico que pode ser tratado e, quem sabe, seja possível alcançar a cura.

Você encontrou aqui, também, caminhos para procurar o tratamento, seja com um psicólogo especializado em fobias ou com as aulas práticas das escolas para habilitados.

Além disso, para se livrar definitivamente do medo de dirigir, você pode seguir as oito dicas que foram pensadas para quem não tem muitos horários livres nem dinheiro para investir em um tratamento pago.

E, agora, você se sente preparado para iniciar a sua jornada no combate à fobia no trânsito?

Conte para nós nos comentários, adoraremos ouvir a sua experiência!

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